sexta-feira, 21 de outubro de 2016

A Vida... Aquela

Roberto Kusterle

- A vida é bela
 Pois eu a vi, que bela!

- Não se deixe enganar
Tal beleza já me iludiu
Esplendoroso sorriso
De sádico coração
A vida é uma puta
E cobra caro
Por um pouco
De emoção

- Mas meu caro
A vida é uma disputa
A vida é curta
Curta a vida
Pois é bela
E não há desculpa

- Veja bem
A beleza é um dos anjos mais cruéis
Nos tira a defesa
nos faz acreditar na pureza
Que é breve,
enquanto nos faz pulsar
A vida é longa,
com brevidades no caminho
Conquiste suas próprias belezas,
mas as cultive sozinho
Pois a beleza nos é indissociável
Um lapidar do olhar de nossas almas
um recorte em cada fatia
Como o amor que sentimentos
Mesmo sofrendo
por essa vadia

(...)



Trecho de um freestyle; Coautoria:
Rafael Levi & Giovana Arantes
2014


-

sexta-feira, 18 de março de 2016

Ciência, uma religião?



Sempre que há um debate entre ateus e crentes, ciência e religião são postas como extremos opostos. Em muitas dessas discussões surge uma figura que critica os amantes da ciência como seguidores cegos da ciência, possuindo nela fé, como se fosse uma crença. Com isso em mente, decidi fazer uma livre exploração de como as duas perspectivas não são tão distantes quanto parecem.

Como toda narrativa mitológica a ciência também possui seu gênesis:



CIÊNCIA

Para melhor entendimento, sempre bom definir, pois um grande problema de toda essa relação dicotômica é, por si só, a linguagem. Etimologicamente o próprio nome já elucida algumas questões. Ciência vem do latim scientia, que simplesmente significa conhecimento. Ter a ciência de algo. Objetivo naturalmente almejado por qualquer ser humano através de qualquer relação com linguagens que traduzem o mundo.

Primeiramente, a mérito de esclarecimento consideremos a Ciência em duas faces. O método científico em si e a instituição acadêmica ou a visão icônica do que ela representa, o peso da palavra, por assim dizer. E por ciência deixemos implícito o termo "ciências", para ter em mente os mais diversos estudos, não apenas exatas e biológicas.

Sendo assim, temos um método para compreender a realidade que nos cerca: de como adquirir informação, converter em conhecimento tentando eliminar o máximo de interferência e ruído, para que a informação seja o mais verdadeira possível. Como assim "mais verdadeiro possível"? Não existe verdade? Bom, tecnicamente... não. Verdade é um conceito sólido e absoluto. O que, por si só, já é impossível de existir em um universo em constante transformação. E mesmo as projeções mais precisas de suas transformações como a entropia, os ciclos astronômicos e atômicos, ou a expansão do universo, não possuem certeza absoluta de fatos futuros. Principalmente quando envolvem variáveis que desconhecemos. Então todo conhecimento é nulo? Não, meu caro, também não precisa cair no relativismo absoluto. Esse é o problema da contestação de muito discurso hiponga contra a Ciência. Só porque não existe 100%, não quer dizer que não consigamos 90%, 99%, e às vezes 99,999%. "Parabéns! Você é o pai!!!"

"Certeza é um sentimento, não um conceito absoluto."



Entretanto a Ciência é capaz de explicar tudo, preencher todas lacunas do conhecimento humano? O pensamento moderno acreditava que sim. Que a Ciência e o avanço tecnológico nos levariam para um mundo utópico, um futuro melhor para todos seres humanos. Se você puder algum dia conferir qual era a visão de Walt Disney sobre isso, ficará impressionado. Ele possuía essa crença tão arraigada em seu ser que é possível ver em um de seus parques, o Epcot, um brinquedo chamado Carrousel of Progress. Onde o palco gira com bonecos que demonstram os benefícios dos avanços tecnológicos com uma música bizarra de fundo. Parece mais uma lavagem mental digna de Admirável Mundo Novo.  Visão de mundo que fica também clara no filme Tomorrowland, que deixaria o pai do Mickey orgulhoso.

Nietzsche, assim como o levante de pensadores pós-modernos (que talvez já esteja sendo superados por uma Hiper-Modernidade), não  acreditava que a ciência e seus avanços poderiam nos salvar de nossa miserável existência:



A questão é: será que a Ciência pode preencher o espaço de um vazio moral ao derrubar a Religião? Se tornar um meio de compreensão do mundo que preencha todas nossos anseios?

Temos no método científico os pilares empíricos: o pensamento lógico, da racionalidade e da razão; e a experimentação (o mais universalista possível). A "experimentação" por si só (pôr algo à prova) nada mais é que uma dupla empírica; é ver com os próprios olhos uma segunda vez, ou mostrar aos olhos alheios a confirmação do conhecimento. Ou seja, em qualquer processo invariavelmente temos uma pequena dose de subjetividade, ao ponto que é um ser humano que faz ou idealiza o conceito e o põe a prova. É possível então que em qualquer experimento científico exista uma certa tendência a direcioná-lo para o que se acredita, ou ao que se quer acreditar? Bingo. Veja sobre Viés de Confirmação. Não bastando isso, números por números podem ser muito maleáveis, gerando teorias de pseudociência que enganam muitas pessoas pela gama enorme de argumentos para justificar qualquer tentativa de desmantelá-los. Tal qual uma hidra muitas vezes nascida da religião tentando sabotar a Ciência, como o criacionismo.



Mesmo nos livrando de todo esse ruído, temos um grande pepino que está atrapalhando até mesmo os avanços da física quântica: A percepção. (Físicos de plantão, não se preocupem, não vou dizer que a percepção altera diretamente a realidade. Sei que não é bem assim.)

“O Tao é o Tao. Qualquer interpretação do Tao é apenas uma interpretação do Tao, nunca o Tao em si.” - Ditado taoísta

Justamente nesse ponto as fronteiras ficam embaçadas. Já que, assim como a Ciência, todo o conhecimento humano do mundo provém de nossa relação com ele (Muitas vezes não só tangível e empírica, é fato). Tais como as experiências puramente pessoais e individuais, vivências que não podem ser compartilhadas, sendo assim a base a própria consciência em si. Ou então as experiências grupais onde mais de uma pessoa relata a mesma experiência, seja sobrenatural, paranormal, metafísica, espiritual e o escambau. Essas circunstâncias são puramente momentâneas, e se compreendidas pelo viés científico são observáveis apenas como conexões sinápticas em um aparelho de ressonância magnética. Sem qualquer significado. Muito longe do significado que parece ter para os que experienciaram a sensação.

Existem portanto experiências impossíveis de se avaliar através de um método (por enquanto), e do outro lado um método que mesmo que seguido, depende de nossa empírica. O que é um experimento científico que acontece em uma sala escura e sem som onde ninguém entrará ou verá os vestígios que deixou?

“Se uma árvore cai no meio da floresta, mas não há ninguém lá para ouvir, ela faz barulho?” - Koan Zen

RELIGIÃO

Falemos das religiões. Religião vem do latim religare, ligar novamente com (no caso) Deus ou deuses; o divino (em alguns casos de forma mais abstrata). Portanto, se faz inevitável a necessidade de definir Deus, o qual possui várias facetas, algumas vezes isoladas. Em várias religiões podemos encontrar o aspecto social e regulamentador, assim como seu aspecto natural e universal. Diversificando em outras culturas com uma divisão dos aspectos naturais e sociais em vários deuses, cada qual com sua relação específica com a natureza e com um comportamento humano. Por um lado então, podemos dizer que Deus é a natureza das coisas, e por outro que é um alinhamento de percepções; de almas humanas. Não à toa existem expressões como “a voz do povo é a voz de Deus”, e o que é onisciente, onipresente e onipotente na vigília dos atos humanos e em suas realizações, senão eles próprios?

Reality Tunnel – Vanessa Waring

Já numa perspectiva antropológica. Como bem sabemos, existem vários deuses e várias culturas. Portanto, várias verdades relativas ao interesse de cada povo. As quais sociólogos e antropólogos dirão que são definidas através do convívio com o meio ambiente em questão e seus fatores sociais. Em um mundo que não era todo conectado, em uma mesma região havia a forte tendência de existirem pessoas com o mesmo modo de ver o mundo, quando comparados a outros povos. Ainda assim muitos estudiosos encontram representações análogas de mesmos conceitos trabalhados de formas diferentes. O que levou Jung a teorizar sobre o inconsciente coletivo e Campbell gerar o conceito da Jornada do Herói, O Monomito.

Para além dos padrões, poderíamos dizer que a religião também possui um método? Bom, se observamos atentamente, veremos em todas doutrinas religiosas e espirituais uma liturgia particular em cada uma. Todas possuem seus dogmas e paradigmas, assim como suas rotinas e métodos a serem seguidos. Procedimentos que vão desde uso de medicinas (ervas) à definições de espaço e tempo apropriados para a execução de orações, por exemplo. Muitos dos métodos são para que se alcance o estado mental necessário para que haja a compreensão dos simbolismos de cada crença, muitas vezes através de uma conexão puramente emocional com o universo, a natureza, os outros humanos ou consigo mesmo. Possuem seus  manuais, suas regras, seus preceitos e doutrinas.

E aí entramos na linguagem. A ciência e a religião são manifestações de uma mesma origem: o ser humano aprendendo a linguagem do universo. Do que se compõe suas regras, o que ele pode nos dizer. Assim como um bebê faz ao prestar atenção em seus pais e tentar balbuciar algumas palavras tentamos desde os primórdios ler as mensagens, entender seus códigos, ter controle sobre eles e reproduzí-los. As mesmas filosofias delirantes e confusas, com previsões do futuro e mensagens divinas, deram vasão a um entendimento do mundo, seus ciclos e padrões. No passado achamos que estrelas cadentes seriam presságios de catástrofes, ao mesmo passo que compreendíamos o que diziam sobre os ciclos naturais. O método nada mais foi que a seleção natural do conhecimento, os que acreditavam nas profecias de invernos frios e necessidade de peregrinar sobreviviam e os que acreditavam nas profecias de que seriam capazes de voar por nascerem no alinhamento de uma estrela com outra, morriam ao cair do penhasco.

Apesar de parecer que ela se encerra escrita em pedra, a religião tem se moldado com o tempo e adaptado sua visão de mundo. As culturas antigas se mesclaram e sincretizavam suas crenças, a bíblia foi escrita em várias partes e podem ser analisadas suas possíveis influências mitológicas. Curiosamente o cristianismo não negava boa parte das crenças discordantes, ao invés disso, as re-significava, demonizando-as. Acontece que tais debates ocorrem em uma cúpula fechada e de forma extremamente limitada e resistente a mudanças na velocidade que nossas descobertas demandam.

Muitos acreditam que a Idade Média foi um período perdido de total ignorância, que todas as religiões primitivas não entendiam nada do mundo e que toda metafísica é pura alucinação. Entretanto, todas as ciências que hoje possuímos partiram de estudos desses povos, e pasmem, muitas vezes vieram de ambientes religiosos. Desde a escrita e o desenho, com fenícios e sumérios, como a matemática para os egípcios e povos árabes, a mãe da astronomia, a astrologia, para os gregos, maias e orientais e por aí vai. Até termos como base do surgimento de ambientes acadêmicos (os quais são as principais estruturas para o método científico) surgindo fundados por igrejas, e até hoje ainda sendo vinculados a elas. É de confundir qualquer neo-ateu essa ironia.

Céticos e cientificistas gostam de separar o mundo entre “natural x artificial”, mas não gostam que confundam com a dicotomia “natural x sobrenatural”.

E se eu disser que é a mesma coisa?

Parece que uma grande metáfora não foi compreendida através dos milênios…

Aqui cabe um pouco de Platão em questão, o pai da perfeição e toda a maluquice que temos hoje (pelo menos na visão dos historiadores ocidentais). Curiosamente ele separavaa realidade entre o mundo tangível em que vivemos e o mundo das formas perfeitas, o mundo das ideias. Surge a metafísica, aquilo que está para além da matéria. E quando pensamos em debates sobre o que existe ou não existe ao teorizar Deus, comparamos erroneamente com algo tangível. Como um bule voando ao redor de Saturno. Entretanto, podemos fazer abordagens muito mais próximas e diretas. Você pode me provar que ideias existem? Conceitos? São tangíveis? São reais?

"Poh!, então está dizendo que Deus é apenas uma ideia? Uma ficção? Pura invenção?" Tecnicamente... não. De forma simplista podemos até dizer que é um alinhamento de ideias, emoções e percepções de mundo, alcançado pelos estudos de várias culturas e religiões. Existe aí um fator de pensamento em conjunto tão complexo quanto o científico, mas não está direcionado para o tangível, a natureza de como as coisas são. Mas sim, de como se direcionam moralmente a fim de vir a ser, um construto do combustível humano que intuitivamente sabe o que o move em direção ao que deseja ou precisa. Articula a realidade em prol dos interesses de uma maioria, de um líder ou uma vontade coletiva.

Se disseram que é científico então é verdade.
CIÊNCIA COMO RELIGIÃO

Como a Ciência pode ser parecida com a religião e como a ciência, tão mais sóbria pode perder sua credibilidade?

"Ora, ela é imparcial, preocupada apenas com a compreensão do mundo. Não há crença cega ou hierarquias baseadas no aprofundamento de seus paradigmas que excluam outros pontos de vista..." Será?

Vamos desconstruir um pouco. Por mais que muitos dos citados articulem a necessidade do ceticismo e do método científico, é assim que a maioria corresponde? De todos os conhecimentos científicos que você possui, quais deles você fez um experimento e comprovou sua veracidade? Quantos deles não chegaram até você apenas porque um livro disse e você então aceitou? Quantos argumentos você não ouviu, e depositou sua fé de que eram verdadeiros por supostamente serem científicos?

Nos tempos atuais ela chega a se parecer com uma seita, com seus mártires e evangelizadores. Não que isso seja ruim ou desqualifique a qualidade da Ciência em compreender o mundo,  o  que também não a impede de possuir uma estrutura com séquitos, padres, crentes, paradigmas, tabus, etc., entende? A Ciência tem aprendido que a racionalidade pode ser o melhor caminho para o entendimento, mas que para convencer as pessoas, necessita de emoção. Pregação! Ser capaz de inspirar as pessoas.



A Ciência (ou academia) como símbolo institucional começa a mostrar suas falhas, cada vez mais exploradas por interesses de pessoas, grupos e (principalmente) corporações. Se mostra cada vez menos como aquilo que salvará a humanidade ao se afastar da moral, e acabar caindo na mão de interesses práticos. Não há o incentivo de estudos em prol do bem de todos, e sim do lucro. Já teríamos muitas soluções para muitos problemas se não houvesse no meio acadêmico a dependência do capital, que vem de organizações privadas visando unicamente uma visão mercadológica. Ou então, pior, imaginemos que falsos conhecimentos sejam gerados, a fim de iludir milhares de “estudiosos”, patrocinando palestras e debates para fazer com que vendam seus produtos, deixando-os amarrados as marcas que lhes fornecem benefícios e incentivos tais quais mafiosos. Claro, só uma ficção, digamos que não acontece com médicos, psicólogos, dentistas, químicos, etc. Pura ficção não é mesmo? É possível que no meio de tanto ruído, interesse, ignorância, manipulação, fé; parem de usar o nome da Ciência em vão?

Como se não bastasse, o "jornalismo" ainda usa para mérito de entretenimento. “Estudos apontam que quem ouve rock é mais inteligente” Puro clickbait. Gerar buzz nas mídias sociais, compartilhamentos e acessos.

Qual a solução para essa dissolução do valor da verdadeira Ciência? É falta de Deus no coração? Talvez… sim. Só que não da forma que pode estar pensando. Em diversas religiões, principalmente as orientais e filosofias esotéricas, o caminho para encontrar deus é através da compreensão, da experiência, da vivência e do estudo do mundo a despeito dos paradigmas. Ou seja, falta a valorização do estudo e do conhecimento, principalmente a percepção do conhecimento alheio. Pois conhecimento é poder.

O obscurantismo da idade média não foi da lógica, mas do poder. Não havia o interesse de que outros adquirissem o conhecimento centralizado por eles. Monges cristãos, por exemplo, eram extremamente estudiosos, porém somente eles sabiam ler e escrever. Entretanto, sempre existiram os lúficers prometeicos (revolucionários), aqueles que roubavam o fogo (poder / conhecimento) para compartilhar aos homens. Os estudos que se espalhavam à margem do poder centralizado receberam a pecha de "ciências obscuras", ocultismo.

Ainda hoje existe a interpretação da espiritualidade como a conexão com o divino numa busca própria, e a religião como uma instituição, que é a conexão com o divino na aceitação de poderes superiores. Talvez falte refazerem a conexão das ciências, das relações de poder e do conhecimento. Para não dar margem ao diabo da pseudociência, das conspirações absurdas, da mentira e da manipulação de uma massa sem Deus. Nos religar ao mundo natural e espiritual, metafísico / moral. Nos religar ao conhecimento.

“Quanto mais próximo da Igreja, mais longe de Deus.” - Lancelot Andrewes

Conhece-te a ti mesmo. Tanto acima como abaixo.
MORALIDADE

O que nos liga à natureza e ao código moral? A busca pela experiência. Esse é o grande método. No fundo, todas religiões buscam aspectos similares, facetas do divino que é essa dialética com o mundo. Essa relação com a compreensão do universo. De forma que, por esse aspecto, podemos dizer que as grandes religiões, as filosofias espiritualistas, o ocultismo e a Ciência podem levar a caminhos bem próximos. E que no fundo, são como as mesmas palavras, em diferentes linguagens. Os que dizem que a ciência não lida com moral, parecem elevar apenas as ciências exatas, e não os estudos de humanas na construção dos códigos morais a partir de filósofos, debates, aplicações práticas e observações. Afinal, o estudo de Direito, das leis e da ética, é um estudo de debates lógicos, embasados e socialmente testados, e rege a moral humana em geral acima da religião (num estado laico, "graças a Deus"). A não ser que você more sob a Sharia ou acredite que as igrejas merecem o direito de questionar o STF. Por isso que a invasão da bancada religiosa é um retrocesso. Desconsiderar os benefícios do Estado de Direito acima das religiões.

No fim, a religião é a base primitiva das estruturas atuais que temos. Desconstruir os conhecimentos recentes é o mesmo que um católico voltar ao código de hamurabi, a igreja voltar à inquisição. A Ciência (ou as ciências) pode ser a nova religião, e como todo sincretismo, naturalmente se alimentou de todas outras e se faz natural que vá investigar os fenômenos sobrenaturais, e se aventure nos campos dos quais não consegue compreender (apesar de só render matérias na Superinteressante). É o melhor que temos até o momento. E hora ou outra, será superada, ou melhorada, ou terá o nome trocado e considerada obsoleta por um vertente que bebeu de todas suas fontes. Em geral ela está em constante colapso em todas as áreas de estudo, uma tese derruba outra, um paradigma é subvertido pela experiência ou por uma nova geração de estudantes. Em qualquer uma das áreas acadêmicas, os mosteiros modernos.

LINGUAGEM

“Transferência de medo e autoaversão a partir de um receptáculo autoritário. É catarse. Ele (Pastor) absorve o pavor deles com a narrativa. Devido a isso, ele é eficaz em demonstrar a convicção que consegue projetar. Antropologistas linguistas acreditam que a religião é uma língua-vírus, que refaz caminhos no cérebro e entorpece o pensamento crítico.” - Rust Cohle, True Detective.

O cérebro humano compreende melhor o mundo através da linguagem. É como ele codifica, recodifica e transcodifica sua realidade. Toda a existência humana é feita de narrativas e meta-narrativas, geradas das relações das diferentes perspectivas e a busca de uma unificação universalista da perspectiva de todos.

Talvez o desejo da existência de algo, seja a pura manifestação dessa existência, burlando a trama do espaço e tempo. Talvez sejamos os criadores a mantenedores de nossa imagem e semelhança. E como diria Neil DeGrasse Tyson, talvez a busca do sentido da vida, seja por si só, o sentido dela. Talvez sejamos a concepção máxima da complexidade da existência do universo a fim de compreender a si mesmo.

A Ciência talvez seja uma religião, um alinhamento de percepções ampliando o conhecimento sobre o universo, provavelmente o melhor que temos até o momento. Só não confunda ceticismo com crença numa negação absoluta sem qualquer abertura para outras possibilidades. Se é uma religião, não sejam extremistas porque, em geral, eles estão cegamente errados.

Para finalizar, deixo as palavras do sábio profeta Bilu:

“Apenas que… busquem conhecimento.” – Bilu, ET

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Cosmos

Milky Ways - Breath, Mihoko Ogaki

Compreendo
a mim mesmo
Lendo todos
os signos

Da órbita celeste
no universo do
meu ser

Algo entre
a curvatura do céu
e a órbita de meus olhos

Algo entre
o encontro de meu reflexo
e a deriva nas sombras

.