quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Memento Mori

...
Óbito
Lágrimas
Acidentais
Sem palavras
Um mal começo
Envenenamento
O sangrar dos egos
Nada lhe direi mais
Valores exacerbados
Imagens contrastantes
Julgamentos incessantes
Não é fácil viver na divisa
Onde se é um sábio para uns
Porém um ignorante para outro
Que é corajoso por suas escolhas e
Covarde pra quem não as compreende
O que tu dizes pesa demais, desbalanceia
Não me venha com essa de não se importar
Com opiniões alheias, ou impressões passadas
Ninguém é uma ilha e tu não deverias assim me julgar
Se lembre Catrina que para a morte não somos diferentes
No fim o que marca não são os erros distraídos ou atos falhos
Mas sim o ódio consciente de insultar, humilhar e nos outros pisar
"Mea culpa, fora um crime passional, não tive controle das emoções"
Não adianta, os pregos já ficaram marcados na cerca da alma
Tudo o que sobra é apenas um pedido de que se importe
Pelo menos que seja o suficiente para não continuar
Criando machucados, enfiando o dedo na ferida
No fim tudo isso fora desnecessário demais
Um capricho dos sentimentos infames
Reação perante seu orgulho ferido
A caveira range os seus dentes
Um incômodo sem cessar
De um fantasma passado
Uma cisma teimosa
Dor que demora
A passar
Afinal
...
     

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Tirocínio



Oh lanceiro que me penetra o peito!
Se pudesse lhe agradeceria pela lição
Sem demora gratificá-lo-ia pessoalmente
Por esta dolorida injúria a mim atirada
Mesmo que da pior maneira possível
Mas talvez se faça necessário assim o ser
Afinal é preciso morrer para renascer
Tu não apenas enfiaste o dedo na ferida
Tive o coração profundamente estocado
Porém tudo que escorrera da laceração
Foram lágrimas negras duma antiga infecção
Foste rude, é verdade, e não foi pouco
Contudo para um entendedor devotado
Apesar de torto, o significado é apreendido
Ainda que vindo dum pechoso dedo em riste
Oh lanceiro que me penetra o peito!
Se pudesse lhe agradeceria pela lição
Será que a sua fora aprendida?
     
  

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Epitáfio



Fim.

Conforme a pá entra em contato com o solo úmido, sinto o impacto percorrer meus braços até meus ombros, duros com a tensão do fardo que carrego. Demorei muito, mas duzentas e oitenta e seis linhas depois eu pude finalmente dizer ao ar tudo que precisava ser dito. Agora minha boca é como o terno de madeira encostado ao lado, sob a chuva pesada que o enxarca. Minhas palavras foram gravadas em um pergaminho feito de meu próprio coro, colocadas em uma garrafa e solta ao oceano profundo, afundando com o peso das emoções expressadas.

Cavar na chuva não é nem um pouco fácil, a terra fica úmida e pesada, e a lama me suja até os joelhos, assim como meus antebraços. Mas não posso mais esperar a torrente passar, certas coisas precisam ser feitas, não importando as circunstâncias. Verbos desnecessários encheram o esquife de madeira maciça, sentimentos lacrados que tornam poucos os sete pés habituais. O erro é cavar um buraco que não se consegue sair, deixando o túmulo exposto, e você escondido. Após todo esforço, subir não é fácil, mas é o preço que se paga por cavar uma fenda tão profunda. De lábios selados está no caixão um anjo caído. A costura em seus olhos e boca são para assegurar que não vaze as memórias que com ele foram seladas.

É Samhain e não existe momento melhor para lidar com os mortos. Será a última vez que esse espírito amaldiçoado andará pela terra, voltando para seu confinamento na badalada da meia noite. Após passar as correntes em volta do caixote me certifico de trancar bem os cadeados. Não vale a pena subestimar a força do que ali está guardado, já fizera grande estrago no passado. Por precaução até mesmo suas mãos e pés se encontram atados para que não haja como fugir; está sendo enterrado vivo, é verdade, mas jamais irá morrer. Só precisa se manter aprisionado a muitos metros abaixo da terra, que aos poucos se renovará sobre sua cabeça até que seja esquecido que ali houvera algum abjeto sequer.

Seu dom da imortalidade é sua maldição, e suas asas foram cortadas, muito antes de ser necessário sumir com sua existência, pelas mãos de outro de sua casta. Ao som da tempestade vou descendo a corda até que ele seja coberto pela água que já acumula no fundo. Boa parte do trabalho já foi, sequer posso sentir o suor escorrer no meio dessa tormenta. As gotas caem com força e são geladas; passam limpando a alma e carregando a sujeira acumulada em minha aura enlameada.

Agora só falta jogar terra por cima, e a pá parece pesar uma tonelada neste momento, talvez pelo cansaço de já ter cavado, entretanto uma vez começado o serviço vou até o fim. A cada porção de terra que colide com a tampa feita de magnólia, ecoa fortemente pelas paredes da cova uma vibração que faz minhas pernas tremerem. Mesmo na metade do caminho ainda é possível ouvir os murmúrios da alma penada que resvalam em meus tímpanos como um sussurro bem próximo, até ser silenciado pelas últimas esmurradas da pá contra a terra; que findam o esforço. Enfim uma lápide é posta, com apenas os dizeres "Adeus". Nada mais precisa ser dito e com o término da chuva se percebe um silêncio sepulcral, nem mesmo o vento ousa assoviar.
Ninguém visitará o lugar, e flor alguma será deixada em homenagem. Limpo o suor do rosto, me levanto e sigo para o caminho que já trilhava; rumo ao incerto.

Começo.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Damned



I'm cursed with this cureless feeling
It will hurt me until I can't laugh anymore
It is known that time cure everything
But my hourglass timing is different
Three days become three autumns
A simple memory changes to a tomb

My sadomasochistic heart searches for conflict
Asks for proves of faith and trust
With open chest I let everything come in
Leaving an irreparable damage
And I insist in haunting my problems
Even when there's no more solution
Making the sorrow worst and tearing me apart

Accursed from irreversible love
Heartache bigger than my chest
That takes my breath away
But I will never quit as long as I can feel
Having no fear from regretting what I've done

Because damned I am
Until receive a bless from the one
         

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Intemperança



Não são só gotas de palavras
Criamos uma tempestade descontrolada
Transborda o pedantismo e encharca as mágoas
Trovões de sua raiva, raios de ofensa
O que sobrou pode se pesar em onça
Gotas de sutís perfumes do passado
Agora fedem ao bafo na bocarra da fera
O galho é curto e as garras afiadas
Não resta muito do que já é pouco
Mas quem provoca é quem sai mais ferido
E quem se sente provocado com pouco?
Só machuca, e sem pudor, feroz
O medo vaga por entre os ramos
Assim na floresta mais um fatídico dia
Sangue escorre por entre raízes
Que insistem em não sair do lugar
Por mais forte que seja o tufão
Mas por mais que a árvore se fixe
Agora ela morre, por ali ficar
Após forçar até o limite, toda seiva foi tirada
Murcha e se desfaz na água da chuva
Qualquer chance de recomeço parece morta
Se decompõe toda a vida que transbordava
O fim é parte do ciclo
E por mais escura que seja a noite
Mesmo que o abismo do céu te torne menor
E as nuvens encubram as estrelas
O passado há de se renovar
Não sobrará vestígio das vidas que ali passaram
A natureza aos poucos voltará a brotar
Com o tempo certo, lírios hão de florescer
Fragrância nova irá pairar no ar fresco
E desse inverno a primavera irá me salvar
       

domingo, 20 de outubro de 2013

Soledade



Caminhada no deserto
Tumulto formado de cada grão
Significado vago carregado pelo vento
Céu pontuado por estrelas
Ofuscadas por nossa própria luz
Na brevidade distante de tudo que já foi
Contratempo da maquina, rodar da engrenagem fora do ritmo
Intangível meta que nunca devia ter sido traçada
Clepsidra que marca os tempos modernos, fluído
Mutável e inconstante são as próprias concepções dos rumos
E no ritmo da vibração dos outros, pressão
Barômetro oscilante, a cada dia mais sufocado
A força centrípeta da modernidade
Aumenta a gravidade sobre todos nós
E o movimento não para
ATM nos espalha e nos divide
Como areia soprada pelo vento
Procurando no céu o brilho de seus grãos
     

domingo, 13 de outubro de 2013

Desproporcional



No fim, parece que nosso amor
não era só diferente,
Desproporcional

Do começo ao fim
Não se atraias por mim tanto
quanto eu me encantei por você
E também não creste em mim,
tanto quanto acreditei em você
Não vias potencial em mim,
como eu percebia em você
Nunca confiaste em mim,
como contei com você
Jamais me perdoaste,
como eu te absolvi
Sequer conseguiste me compreender,
como eu por várias vezes te considerei
Não me enxergavas em ti,
como eu me via em você

Em circunstância alguma julguei,
como várias vezes me incriminaste
Nunca entendeste minha dor,
do jeito que eu tantas vezes me esforcei para tal
Jamais tiveste a mesma paciência com meus problemas,
como eu em todas as vezes que procuraste por consolo
Sequer se entregaste a mim,
como me cedi por você
Não quiseste me esperar,
como por ti aguardei


Em nenhum momento tiveste fé em mim,
como ainda tenho em você...