terça-feira, 6 de outubro de 2009

Complexo Epstemológico



Descartes já disse o que se tinha por dizer. Mas o que vem dai em diante?
Raciocínio lógico, o que é pensar? É apenas um ato? Ou uma cadeia de situações?
Fisicamente complexo nosso cérebro é genial, subdividido em áreas que são totalmente mutáveis e adaptáveis. Pensar é sentir? Perceber o que foi sentido? Codificar o que foi sentido? Associar o que foi sentido?

Conhecimento tão abrangente quanto a palavra pensamento, é descrito por vários de várias formas, de forma que uma tese negue a outra. Temos também o fator inteligência, que associa os dois fatores e que sem nenhum dos dois não é nada. Como um livro que só possui conhecimento bruto e uma calculadora, que de certa forma só raciocina. Mas pensar é mais que isso não?

Senão computadores já seriam considerados pensantes. A diferença: Eles não sentem.
...O que? Não vêem. Não tocam. Não saboreiam. Não cheiram. Não ouvem.
Sem capacidade sensorial de nada adianta raciocinar.

Mas de que formas utilizamos isso para adquirir, absorver, formar e produzir conhecimento.
Auto conhecimento?
Como se descobre algo que só você deveria saber como descobrir?
Etapas. Raciocínio ajuda a formá-las, sendo assim ele é a base do pensamento?
Etapas.
Ver, enxergar, notar, perceber.
"Viu o filme?" "Vi!"
Olhar, avaliar, calcular, entender.
"O que achou?" "Bem sacado aquele fim, e aquela cena foi muito bem feita."
Compreender, aprofundar, desmistificar.
"Qual cena?" "A que possui uma sequência de cortes rápidos e de iluminação baixa, sempre com close ups"
Associar, analogizar, comparar, diferir.
"Porque?" "Porque ela criou uma sensação de tempo interminável, como quando você está com pressa e olha mais vezes para o relógio e para todos lugares."

O que parte depois da associação, quando se percebe que o planeta é uma célula ou que somos como formigas?
Para muitos a analogia é um dos mais altos níveis de pensamento e raciocínio. Até mesmo para tal é necessário conhecimento, precisa-se de uma base para poder realizá-la.

E quando se chega à uma verdade? Verdade que é única de cada um, pois cada um sente diferente. Mas o que muda é como expressa-la, mas a verdade é uma só. O que se faz?
Quando se percebe que tudo é tudo, nada é nada, tudo é nada e nada é tudo.

Onde o negativo e o positivo não existem, sem bem nem mal. Apenas fatores compensativos opostamente obrigatórios em sua existência infinita.
Não há esclarecimento... ainda!.? Ou nunca haverá.

Cogite


O Homem e a Borboleta

Uma vez eu sonhei que era uma borboleta,
voando entre as flores e arbustos do jardim.

Tudo era tão concreto e real
que em momento nenhum do meu sonho
suspeitei que a borboleta era eu
ou que eu fosse a borboleta.

Para todos os efeitos possíveis e imagináveis,
eu era, eu agia e eu realmente me sentia uma borboleta,
cumprindo o destino de uma borboleta qualquer.

De repente, eu acordei
e lá estava eu, sendo a pessoa que eu sempre fui
- ou que sempre imaginei ser.

Sei muito bem
que entre um homem e uma borboleta
há tantas diferenças fundamentais e insuperáveis
que a transformação de um no outro
é algo simplesmente impossível de acontecer no mundo real.

É por isso que, desde então,
eu nunca mais tive sossego
quanto à minha verdadeira identidade.

Pois não há nada que me permita saber,
com toda certeza e rigor,
sem nenhuma margem de dúvida,
se eu sou verdadeiramente um homem,
que um dia sonhou que era uma borboleta,
ou se eu sou uma borboleta,
sonhando que é um homem.

Chuang Tzu